Economia solidária centra a pessoa no desenvolvimento, sustentada pelos recursos limitados do planeta. É uma economia de princípios e valores humanos, ecológicos e solidários, em sintonia com práticas alternativas, como o comércio justo, responsabilidade socioambiental e marketing social.
Segundo Laville (2005, p.303), a economia solidária estabelece as bases e fundamentos para uma outra globalização, mais equilibrada e mais solidária com os outros e com a natureza. A lógica da economia solidária é a procura da satisfação das necessidades e não apenas o acumular de lucros de forma irresponsável e insustentável no longo prazo. Podemos encará-la como um mecanismo de criação de empregos e de promoção do desenvolvimento sustentável.
Diferente do modelo de economia social do séc. XIX e em meados de XX, que era suportado por dimensões filantrópicas e assistencialistas, A economia solidária abrange elementos como a sustentabilidade, o meio ambiente, a diversidade cultural, o desenvolvimento local, a competitividade, a boa governança, a eficiência e uma nova globalização (Boulianne, 2003).
Implica a integração equilibrada e sustentável de três dimensões essenciais: econômica, social e ambiental.
A dimensão ambiental, com a preservação do ambiente e dos recursos naturais, através de práticas de baixo impacto ambiental. A dimensão social, com o desenvolvimento das sociedades respondendo às necessidades sociais das pessoas e dos seus territórios. E a dimensão econômica, respondendo à necessidade de desenvolvimento econômico, mas suportado pela sustentabilidade ambiental e às necessidades humanas e naturais.
Quando se falava em desenvolvimento econômico, este era sinônimo de crescimento econômico, de aumento de consumo, de aumento da riqueza dos estados e dos cidadãos. Fará sentido continuar a falar de tal desenvolvimento? A resposta é “não”. Não é possível desenvolver sem cuidar, sem preservar, sem equilibrar e sustentar.
Podemos adicionar às três dimensões abordadas para o desenvolvimento sustentável, outras questões, como a política e a cultural. A dimensão política é fundamental, pois o desenvolvimento sustentável é um interesse comum e partilhado, por todos os estados, por todas as regiões geopolíticas do globo. É também uma dimensão cultural e territorial para fomentar o processo de preservação do saber histórico e cultural.
Os desafios futuros irão exigir empreendimentos sustentáveis que evocam a mudança de paradigmas em todas as suas dimensões, “crescimento econômico não é sinônimo de desenvolvimento”, “a natureza não é um bem material”, “os problemas sociais territoriais não são apenas problemas locais”.
“Recursos naturais pertencem a todos, a sua utilização desordenada e competitiva na perseguição do interesse egoísta de cada um traz a ruína de todos” (Magalhães, 2007, p.42).
A economia solidária é um modelo de desenvolvimento, não só econômico, mas também humano, onde o marketing social, as finanças éticas (ex: microcrédito), as empresas de inserção social, o comércio justo e o consumo responsável, e também as novas tecnologias livres como softwares open source e wikis, fazem parte do seu desenvolvimento.
sábado, 19 de novembro de 2011
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